ENTREVISTAS

FANNY ABRAMOVICH

 

“Nasci, cresci, estudei, namorei, badalei, trabalhei em São Paulo. Aqui me formei no curso de Pedagogia na Faculdade de Letras da USP. Comecei dando aulas particulares, quando tinha catorze anos. Depois, foram anos como professora de crianças, de jovens, de adultos, de professores. Lecionei pelo Brasil todo, mexendo mais com teatro-educação e criatividade-educação. Mexi com as cabeças, com os corpos, com o auto-conhecimento. Curti.Trabalhei anos como jornalista. Fazendo crítica de livros para crianças, falando do que se produzia para elas usufruírem. Mexi com os monstros sagrados, fiz ver coisas que passavam despercebidas. Adorei. Fiz o mesmo tipo de trabalho na televisão: na Globo e na Cultura. Falava sobre brinquedos, discos, teatro, livros infantis. Foi um barato! Colaborei com vários jornais e revistas.

Dei muita consultoria. Para projectos especialmente bolados para crianças e jovens. Na área do teatro, da literatura, da educação. Palpitei em coleções de livros para crianças e adolescentes. Amei de paixão!

Me iniciei nos mistérios do fazer livros infantis trabalhando, por uns dois anos, como consultora pedagógica da Editora Giroflé.

Circulei por este Brasil inteiro. Fazendo conferências, participando de mesas-redondas, dando cursos. Em grandes capitais ou em cidadezinhas escondidas. Em algumas ficando um dia, em outras três semanas. Foi ótimo!

Escrevi livros para professores. O mais conhecido deles é o Quem educa quem? Fiz antologias que discutiam questões da infância e da adolescência. Cutuquei. O último deles é O professor não duvida? Duvida!. Escrevi um montão de livros para jovens. Os mais conhecidos são Quem manda em mim sou eu, As voltas do meu coração e Que raio de professora sou eu?. Quem leu, curtiu. Maravilha! Tenho também vários livros para crianças publicados. Entre eles Também quero pra mim, Sai para lá dedo-duro e Olhos vermelhos. Adorei escrever cada um deles.

Sempre gostei do que fiz. Também, se não gostava, não fazia. Por isso curti tanto aquilo em que me joguei. E tem valido a pena.”

Vamos lá?

Laerte Vargas: Fanny, quais as histórias que embalaram a sua infância?

Fanny: Os contos de fada, claro. Todos!!! Narrados por minha mãe na cama, me preparando pra dormir… Lindura inesquecível!! Na creche que freqüentei, muitas variações da galinha ruiva e três porquinhos, exigindo trabalheira brava pra ser aceito… No Batista Brasileiro, onde estudei por alguns anos, a Bíblia…um repertório vasto e fundante! Mescla de histórias judaicas, comunistas, um pout-pourri que me deixou crescer na misturança do belo. E paralelo, na linha de frente, no deleitoso e inesperado Monteiro Lobato!

Laerte: Qual a importância da contação de histórias na formação do indivíduo?

Fanny: Enorme, vasta, marcante, fundamental… O contacto com o maravilhoso, o deslumbramento com a poesia e a belezura, a taquicardia até a chegada do final, os susto e medos pavimentando os caminhos pra andar, os tremeliques, a roeção de unhas, a vontade imperiosa de saber como ia continuar e terminar… Explicações diferentes e diversas do mundo, dos conflitos com outras gentes, a identificação com o protagonista…

Laerte: Hoje em dia, alguns educadores acham que devem amenizar a crueldade que alguns contos e cantigas de roda apresentam. Por exemplo: mudam a letra de “Atirei o pau no gato” para “Não atirei o pau no gato” e assim por diante. O que você acha disso?

Fanny: Porque? Pra que? Por quem? Em nome do que? Quando crianças fomos cruéis, maldosos, sádicos… É só lembrar, o mundo que rodeia também… Porque diluir, amenizar, negar? Tem que encarar! Odeio tudo que é politicamente correto. Por ser falso, fingido, controlado, envernizado. Eu gosto de ser efetivamente reagente.

Laerte: Contar e ler histórias, como você vê cada uma destas práticas?

Fanny: Momentos diferentes do ouvir/leitor, momentos diferentes  do contador/leitor, momentos diversos de já conseguir juntar letras e palavras, momento diferentes de querência de ficar sozinho ou em grupo, de precisão de mais tempo, mais pausas ou aceleramento… Nada é exclusivo… Movimentos complementares, circulares, espiralados…perguntar pra criança o que prefere naquele momento e tratar de ajudar a concretizar.

Laerte: Você acha que a contação de histórias é uma ferramenta de sedução para a formação de novos leitores?

Fanny: Claro! Sou leitora viciada, dependente, fissurada, devoradora… E, hoje tenho consciência que isso foi se modelando pelo tanto de histórias que ouvi narradas pela minha mãe, minha avó, minhas professoras… Em situações e espaços diferentes, com mais ou menos tempo, com mais ou menos sono, com mais ou menos identificação com os personagens daquela história…Tem coisa melhor no mundo do que reler uma história de faz-tempo e sentir/sacar/ todas as mudanças    pessoais acontecidas no tempo deste intervalo de ouvição/leitu

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ROSEANA MURRAY

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Nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Lingua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).
Publicou seu primeiro livro infantil em 1980 (Fardo de Carinho, ed. Murinho, R.J). Em 2007  tem mais de 50 livros publicados. Tem dois livros traduzidos no México (Casas, ed. Formato e Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim/ Ibeppe) . Seus poemas estão em antologias na Espanha. Tem poemas traduzidos em seis linguas ( in
Um Deus para 2000, Juan Arias, ed. Desclée e Maria, esta grande desconhecida, Juan Arias, ed. Maeva.).
Recebeu o Prêmio O Melhor de Poesia da FNLIJ nos anos 1986 (Fruta no Ponto, ed. FTD), 1994 (Tantos Medos e Outras Coragens, ed. FTD) e 1997 (Receitas de Olhar, ed. FTD).
Recebeu o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte em 1990 para o livro Artes e Ofícios, ed. FTD, S.P.
Entrou para a Lista de Honra do I.B.B.Y em 1994 com o livro Tantos Medos e Outras Coragens tendo recebido seu diploma em Sevilha, Espanha.
Recebeu o Prêmio Academia Brasileira de Letras em 2002 para o livro Jardins ed. Manati, R.J como o melhor livro infantil do ano.
Participou ao longo destes anos de vários projetos de leitura. Implantou em Saquarema, em 2003, junto com a Secretaria Municipal de Educação, o Projeto Saquarema, Uma Onda de Leitura.

Laerte Vargas: Roseana, conte um pouquinho você…

Roseana Murray: Laerte, eu não sou um bicho de cidade grande. Gosto de mato, silêncio, sou contemplativa. Moro em Saquarema e vivo feliz aqui. Estou envolvida com a comunidade, trabalho num projeto de leitura junto com a Secretaria de Educação. Minha vida é simples: arrumo a casa, cozinho (adoro cozinhar), escrevo, leio, escuto os passarinhos, os sinos e o mar. Leio muito mais do que escrevo. Sou muito mais leitora do que escritora. Gosto de cuidar das pessoas que amo, cuido de um monte de gente. Gosto de criar harmonia e beleza onde estou. Vivo com o Juan, meu grande amor e as nossas duas gatinhas-filhinhas Luna e Babel. Não saio muito daqui, me concentro no meu pequeno mundo e aqui já conseguí transformar muitas vidas.  Ajudar as pessoas é a minha grande paixão.

Laerte: Da idéia ao texto: como é o processo de “maturação”?

Roseana: É verdade, antes do texto fico ruminando. Acho que é por isso que gosto de cozinhar. Sempre estou pensando enquanto cozinho. Mas às vezes um poema nasce antes da idéia e ele puxa os outros. Gosto muito de pensar.

Laerte: Lembro de um livro seu que me impactou muito: Retratos. À medida que ia vendo as fotos e viajando pelo seu texto, revi minha história e revisitei minha trajetória de afetos, perdas e descobertas. Você acha que é isso mesmo: a poesia e a literatura são um caminho para o auto conhecimento e, até mesmo, uma ferramenta de ”auto ajuda”?

Roseana: Isso de  literatura de”auto ajuda” é uma grande bobagem… toda literatura, de certa maneira é auto ajuda, pois te leva por caminhos internos. As vezes um conto te ajuda a resolver uma situação de conflito, ou entender uma relação.As vezes um poema te ajuda a sair de uma situação de muita dor. Isso não é auto ajuda? Acabo de ler agora um livro de 47 contos escolhidos do Isaac Bashevis Singer e ele me leva até a infância do meu pai, até a Polônia de antes da guerra, até as minhas raízes mais profundas e  me ajuda a entender tantas coisas da minha própria infância… Isso é auto ajuda! O que existe é boa literatura e má literatura. A personagem Blimunda do Saramago (Memorial do Convento), num determinado momento da minha história me ajudou a sobreviver, neste caso Saramago é auto ajuda? A literatura é realmente um caminho de auto conhecimento. O que a gente vê por aí é a proliferação de textos muito ruins intitulados de auto-ajuda.

Laerte: Você pensa em um público-alvo quando está escrevendo?

Roseana: Ligeiramente. Penso mais em mim quando era criança e jovem.

Laerte: Vi uma matéria sobre o trabalho que você desenvolve em Saquarema com adolescentes. Qual é o caminho de sedução para a leitura que você está trilhando com este grupo?

Roseana: Todo bom texto seduz. Quando li junto com eles um conto do Oscar Wilde, por exemplo, antes contei a vida do Oscar Wilde, de como ele foi preso porque era homossexual, falamos de preconceitos e isso já “acendeu ” a curiosidade, criou uma disposição para o texto. No final do conto tinha uns adolescentes enormes chorando, aqueles bem durões. Todo bom texto envolve, seduz.

Laerte: A leitura imposta: como você vê a questão da literatura dentro da sala de aula?

Roseana: Eu acho que o caminho é o das Rodas de Leitura compartilhadas, sem avaliação. Muitos jovens das nossas Rodas já são leitores quando antes não liam nada. Ler e discutir, debater, ler para trocar experiências e não para “produzir” coisas, provas, trabalhos. Esse seria o caminho, eu acho.

Laerte: Uma receita (do que você quiser).

Roseana: Eu me preocupo muito com a questão da felicidade, já que na nossa brutal sociedade de consumo são os outros que decidem do que precisamos para sermos felizes. Uma receita de felicidade seria você saber o que você quer. Parece fácil, mas é difícil. Às vezes queremos coisas que não queremos.

Roseana Murray está com um site fresquinho-fresquinho: www.roseanamurray.com

Léo Cunha

Esse menino de Bocaiúva (MG) cresceu respirando leitura por todos os póros.

Escritor, jornalista, poeta, tradutor e… Ufa! Léo Cunha é um mineiro que tem muita história pra contar!

              Laerte Vargas: Faça pra gente seu próprio prefácio…

Léo Cunha: Tenho um poema que diz mais ou menos assim: “Brincar de poesia é varrer a poeira da memória pra baixo de um tapete voador”. Gosto de pensar a literatura dessa forma: como uma brincadeira que mistura, num mesmo caldeirão, a memória (tudo o que eu já li e já vivi)  e o tapete voador (a imaginação, a fantasia, o absurdo).

Quais as suas primeiras memórias de leitura?

Minhas primeiras lembranças são de minha mãe lendo pra mim e pra minha irmã, mas são impressões vagas, não sei que histórias eram, provavelmente contos de fada. Mas eu me vejo – nitidamente – ainda criança, lendo Lobato nuns livros grandes, de capa dura, esverdeados. A partir dali, me lembro sempre com livros nas mãos.

Em um conto do Carlos Drummond de Andrade, o médico declara à mãe aflita que o filho é um caso de poesia. O menino Leo Cunha também era um caso de poesia?

No conto do Drummond, o menino era mais um menino lírico, com imensa imaginação. Eu fui um menino mais lúdico, mais ligado às brincadeiras, inclusive com as palavras. Sempre fui fascinado por rimas, provérbios, trava-línguas, adivinhas. Até hoje, quando escrevo, o jogo de palavra, o ritmo, a sonoridade, me surgem mais naturalmente do que o lirismo ou a fantasia. Por isso fico muito feliz quando dou conta de criar um texto mais lírico ou fantástico, como “O sabiá e a girafa”, “A menina da varanda” e “Era uma vez um reino sonolento”.

Você cresceu cercado por livros. Que outros elementos influíram para sua formação de leitor?

 Cresci cercado por livro e por leitores. Principalmente meu avô e minha mãe. O exemplo da leitura como atividade prazerosa, saborosa, divertida, foi muito marcante pra mim e agora eu tento repassar este exemplo pra minha filha.

Outro fator primordial foi que, no início da minha adolescência, minha mãe abriu uma livraria especializada em livros infantis, a primeira de BH e até hoje um caso raro. Ali eu passava as tardes lendo, indicando livros, indo com o boy da loja nas distribuidoras buscar os pedidos, fazendo oficinas, participando de tardes de autógrafo. Nisso eu conheci, ainda bem jovem, muitos autores que me fascinaram tanto pelo texto quanto pela conversa: Orígenes Lessa, Ana Maria Machado, Bartolomeu Campos Queirós, João Carlos Marinho, Elvira Vigna e outros tantos.

E os contadores de histórias? Minas é um mar de causos, lendas e outras invencionices da imaginação. Qual a importância dos contos populares na sua obra?

Gosto de ler contos populares e folclóricos, mas não sou propriamente influenciado por eles. Alguns livros meus, como “Pela estrada afora”, “Na marca do pênalti” e uns de poesia, dialogam muito com ditados populares, provérbios, parlendas. No livro “Três terrores”, eu me baseei numa lenda urbana da região da Serra do Cipó, perto de BH, para criar a história “O morto-vivo da colina verde”.

Sou fascinado, também, por recontos dos clássicos. Adoro o que fizeram ou fazem Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, Sylvia Orthof, além de Lobato, claro. Gosto tanto que já me atrevi a seguir esta trilha, em “Contos de grin golados” e “Era uma vez um reino sonolento”, por exemplo.

Aí, de repente, vem a inspiração. Ela, de cara, já toma corpo de palavra ou você fica burilando o tema antes de colocar no papel?

Minha carteira vive carregada de papeizinhos, onde anoto frases, diálogos, pequenas idéias ou simplesmente alguma palavra que me chamou a atenção. Escrevo na hora, pois minha memória é péssima e eu tenho certeza de que vou esquecer aquilo. Mas isto é apenas o primeiro passo, pois depois eu me sento ao computador e escrevo e reescrevo inúmeras vezes cada parágrafo, cada conto, cada poema. Sou de fuçar muito nos meus textos, inclusive mudo muita coisa de uma edição para outra, quando as editoras permitem.

Como se dá essa percepção das inquietações das crianças e dos jovens?

Meus livros juvenis geralmente são mais ligados a temas cotidianos do jovem, como amor, crescimento, família, estudo. Não abro mão do humor e do nonsense, que são paixões minhas, mas acabo sempre falando de personagens e situações mais próximas às dos jovens. Em breve será lançada pela Record a coleção “Clube dos Segredos”, com 4 livros de contos, em que me aventurei por temas considerados muitas vezes mais espinhosos, como a droga, a homossexualidade, a morte, a desonestidade intelectual. Fiquei muito feliz com esta coleção, que eu divido com Rosana Rios, Luiz Antônio Aguiar, Pedro Bandeira e Rogério Andrade Barbosa.

Texto/ilustração: como se dá essa parceria?

 Eu tenho tido muita sorte com meus ilustradores. Tenho livros lindos (estou falando do mérito plástico, que é do ilustrador), feito em parceria com gente como Eliardo França, André Neves, Roger Mello, Nelson Cruz, Marilda Castanha, Graça Lima, além de um novo parceiro muitíssimo talentoso, que já ilustrou dois livros meus e que vai fazer muito sucesso por aí, o Flávio Fargas.

Não costumo dar pitacos nas ilustrações, a não ser em alguns casos específicos. Prefiro que o ilustrador fique livre para criar a sua narrativa. A boa ilustração dá um salto para além da história, explora um detalhe ou viés que não estava explícito no texto, cria um universo paralelo e complementar ao da narrativa ou do poema.

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CRISTIANE MADANÊLO

Cristiane Mandanêlo

Há muito tempo eu venho nutrindo a vontade de ter um dedinho de prosa com essa moça.

Além de ser especialista em literatura infantil e juvenil, Cristiane Madanêlo impregna de muito prazer os artigos que escreve no site do qual é mantenedora: http://www.graudez.com.br/litinf/marav.htm

Eu acho que ela está com a maior cara de contadora de histórias na foto acima. Ela não acha.  Pelo sim, pelo  não, o ar maroto demonstra que ela tem muita história pra contar e bagagem de sobra para compartilhar…

  • Laerte Vargas: Os acalantos e parlendas são importantes na formação da criança? Esse material pode auxiliar no futuro interesse pela leitura?
    Cristiane Madanêlo: Sem dúvida, acalantos e parlendas são importantes na formação infantil, sobretudo pela associação entre a palavra e a emoção. Tais recursos auxiliam na aproximação entre um futuro leitor e a palavra, no esplendor de sua sonoridade, pelo viés do lúdico.

  • O mestre Cascudo dizia que os contos populares são o nosso primeiro leite intelectual. Você concorda?
    Os contos populares são, de fato, uma fonte inesgotável de interesses. Como tais estórias (como preferia chamar Guimarães Rosa) pertencem a um patrimônio cultural do povo brasileiro, é comum que as pessoas se identifiquem com o objeto narrado e sintam necessidade de perpetuá-las oralmente. Graças a esse esforço, muitos de nós tivemos acesso a contos populares desde pequenos pelas vozes de nossos cuidadores.

  • Histórias que envolvem atividades são indispensáveis?
    Histórias são indispensáveis para o desenvolvimento humano e para fazer valer nossa condição de seres gregários. Envolvendo atividades ou não, pertencem ao conjunto de histórias e têm seu potencial.

  • É fundamental o desdobramento em uma atividade sempre que se conta uma história?
    Contar histórias no espaço escolar, muitas vezes, fica atrelado à necessidade de criar uma atividade a partir dessa contação. Adoro criar um momento de leitura coletiva com meus alunos sem que haja atividade alguma depois. Estamos lendo pelo simples e precioso prazer de ler! Essa é uma excepcional atividade de incentivo à leitura.

  • E foram felizes para sempre… Por quê?
    Percebe-se uma tendência, na contemporaneidade, de desconstrução do que o pensamento moderno engendrou como grandes certezas da humanidade. Tal atitude coloca em xeque a lógica socialmente construída para várias de nossas “certezas”, como é o caso do final dos contos maravilhosos. Pode-se constatar esse processo num livro bastante significativo para a história da literatura infantil no Brasil: História meio ao contrário (1977), de Ana Maria Machado. Nesse texto, a autora começa questionando exatamente essa “fórmula pronta” que encerrava várias histórias e convida o pequeno leitor a pensar no que vem depois do “felizes para sempre” e se há, de fato, “para sempre”. Num mundo “líquido”, como propõe o sociólogo Zigmunt Bauman, não há mais espaço para certezas tão absolutas.

  • Histórias de terror. Quando elas são úteis e quando elas não são oportunas?
    O enfrentamento de nossos medos através da arte é uma atividade muito utilizada, inclusive, por psicólogos e psiquiatras. Contar e ouvir histórias de terror ajuda na relação que mantemos com nossas inseguranças, além de ser muito divertido, apesar de assustador. A emoção de sentir medo seduz e nos faz enfrentar os abismos de nós mesmos.

  • O professor contou em sala de aula Maria Angula. A criança recontou em casa, deixando a mãe horrorizada que, sem pestanejar, foi à escola, proibindo que o educador continuasse contando esse tipo de repertório. No entanto, toda a turma se deliciou com o conto. Como negociar com essa situação?
    A participação de pais e responsáveis no processo de ensino e aprendizagem de seus filhos no universo escolar é de extrema importância para o desenvolvimento da criança. A intervenção dos responsáveis em alçada de professor, entretanto, deve ser limitada e bem negociada. Desde que sejamos capazes de defender nossos princípios didáticos para o emprego de determinado recurso, podemos utilizá-lo como fonte de estudo.

  • Livros que recontam os contos da fada com uma ótica moderna. Qual a função? Eles são válidos mesmo que a criança não conheça o conto tradicional?
    As desconstruções dos contos tradicionais estão em voga no universo literário e cinematográfico, com destaque especial para a série Shrek e Deu a louca na Chapeuzinho. Acredito que o contato com esses textos acaba por instigar o leitor a conhecer o conto tradicional.

  • Se você fosse um conto de fadas, que conto seria? Por quê?
    Poderia ser um conto de fadas, desde que fosse desses pós-modernos com desconstruções, sobretudo quanto ao papel da princesa. Não tenho vocação para ficar à espera de um príncipe encantado, deixando de enfrentar meus dragões e de conhecer longes terras.

  • Um livro indispensável para o educador.
    Pedagogia da autonomia, de Paulo Freire.

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Eu me esbaldei com um, dois, três, quatro, cinco dedinhos de prosa com Warley Goulart.

Um dos coordenadores do Grupo Os Tapetes Contadores de Histórias, ele traz em sua bagagem formação em Artes Cênicas, Música e Literatura Infanto-Juvenil.

O bate-papo é um excelente abre alas para 2009 que, segundo os numerólogos, é o ano das parcerias.

Eu guardei na manga com muito carinho, pois adorei a profusão de informações e relatos sobre o grupo, suas atividades e seu jeito muito consciente de lidar com as histórias tradicionais.

Rolou uma interação, saca? Me senti menos sozinho.

Mas, papo cabeça à parte, vamos à entrevista?

Depois me contem se pra vocês foi bom também.
Laerte Vargas
Editor

Laerte Vargas: Como aconteceu a narração de histórias com tapetes na vida de vocês?

Warley Goulart: Aconteceu em 1998 quando parte de nós (hoje somos sete integrantes) teve contato com o artesão e contador de histórias francês Tarak Hammam, na Escola de Teatro da UniRio, onde estudávamos artes cênicas. Ele foi convidado pela universidade para ministrar oficinas de treinamento para atores. Carlos Eduardo Cinelli (que hoje divide a coordenação do grupo comigo) e outros integrantes participaram de tal oficina e resolveram fundar um grupo de teatro que, a princípio, não estabelecia relação direta com as narrativas orais. Neste mesmo período, Tarak Hammam nos apresentou os tapetes artesanais do Raconte-Tapis – projeto que desenvolve no interior na França, ao lado de sua mãe, a educadora Clotilde Hammam, que há 20 anos teve a idéia de costurar um tapete que servisse de cenário para narrar um conto infanto-juvenil.

O grupo se encantou com os tapetes e as histórias e, a partir daí, produziu e participou de oficinas de formação com o artista francês. Logo no início, adquirimos um acervo de 16 tapetes artesanais que representavam contos populares e autorais de origens diversas (Ásia, África e Europa) com os quais passamos a estudar, ensaiar e nos apresentar nas escolas e centros culturais do Rio de Janeiro, apropriando-se pouco a pouco de tais recursos e enveredando nos conteúdos referentes às narrativas orais, estrutura dos contos, literatura infanto-juvenil, etc. Tivemos a orientação de Tarak Hammam por 3 anos, narrando exclusivamente o repertório correspondente ao acervo adquirido.

Mas com o passar do tempo, crescia em nós uma vontade de narrar contos brasileiros e experimentar o processo de planejamento e costura de nossos próprios materiais. Pois foi em 2001, seguindo dicas de minha mãe, que costurei o primeiro tapete aqui no Brasil, para narrar um conto popular brasileiro que eu havia escutado em Minas Gerais. No ano seguinte, a convite da coordenação da Campanha Paixão de Ler 2002, eu e Carlos Eduardo Cinelli criamos cinco tapetes (ainda baseados no modelo francês) para a sessão “Retalhos de Drummond”, com contos e poema de Carlos Drummond de Andrade. Desejávamos neste momento investigar um território autoral, nos apropriando da beleza e força poética das palavras de Drummond.

Nestes cinco anos de vida do grupo, em viagens por cidades do Brasil, conhecemos uma profusão de objetos plásticos utilizados por toda gente para contar histórias. Vimos aventais, malas, colchas, dedoches, fantoches, cabaças, flanelógrafos, livros de pano, tapetes, painéis, etc. Isso nos estimulou a dar o próximo passo em nossa pesquisa: criar outros suportes, não somente tapetes, que servissem de apoio à transmissão oral. Como fruto, em 2004, estreamos a sessão “Cabe na Mala?” para a qual construímos malas, avental, caixas de pano e madeira, com lâmpadas internas e etc, para revelar histórias de Ana Maria Machado e Jutta Bauer. Foi uma delícia todo processo de planejamento, criação e descoberta dos novos materiais. Queríamos abusar do conceito de suporte plástico, transportando a experiência que tínhamos com os tapetes. Com isso, abrimos enormes asas à criatividade. Montamos em seguida o espetáculo “O rei que ficou cego” – para o qual costurei um tapete de 12 metros, composto por montanhas e vales. Pela primeira vez, três contadores narravam juntos o mesmo conto, caminhando e ‘brincando’ sobre o tapete gigante. Paralelamente, em 2006, a integrante do grupo peruana Rosana Reátegui foi morar em Lima, onde inaugurou Manos que Cuentan – projeto de criação de livros de pano a partir de contos tradicionais andinos e com base na arpillería – técnica tradicional andina de costura à mão de painéis de tecido.

Há um ano estreamos as sessões infanto-juvenis “Bicho do Mato” e “Palavras andantes”, e a sessão adulta “O mundo de fora pertence ao mundo de dentro”. Em “Bicho do Mato”, foi a primeira vez em que cada integrante costurou seu próprio tapete-maquete (chamado assim por ser mais tridimensional que o tapete francês) como se fossem objetos de jardim (jardineira, moita, vaso de planta, pedra). Cada peça do jardim se abre e se transforma num belo cenário de pano para ilustrar contos populares brasileiros onde bichos do mato aprontam uma série de confusões. Para “Palavras andantes”, Carlos Eduardo Cinelli trabalhou diretamente com as artesãs peruanas na criação de belíssimos painéis. “O mundo de fora pertence ao mundo de dentro” é o primeiro espetáculo do grupo voltado exclusivamente para adultos, e apresenta uma série de objetos inusitados como um tear (para “A moça tecelã” de Marina Colasanti), caixas e vestidos (para “A moça de Bambuluá”, conto popular brasileiro na versão de Ricardo Azevedo), saia e painel preto e branco (para “A terra é redonda” do suíço Peter Bischel).

A experiência enfim com o tapete e outros objetos nos tem permitido ano após ano trilhar e avançar mais profundamente nesta pesquisa que compreende a intersecção entre oralidade, artesanato, literatura e artes plásticas, os diálogos entre texto e têxtil, bem como nos aproximar das manifestações plásticas que os povos criam para suas narrativas.

Contem pra gente uma experiência muito (mas muito) marcante na trajetória do grupo.

Temos vivido dois tipos de experiência bem marcantes: as apresentações no exterior e as exposições interativas de nosso acervo que desde 2003 realizamos nas Caixas Culturais do Brasil.

No exterior, participamos de eventos e festivais em países como México, Argentina, Peru, Chile e Espanha, narrando nosso repertório em espanhol, dialogando com distintas realidades e conhecendo outras maneiras de lidar com a palavra oral. Em nossa última visita ao Peru, visitamos a escola pública “República Federativa do Brasil” onde os alunos, antes de entrarem em sala de aula, cantam os hinos dos dois países. Algumas delas têm noção maior da língua portuguesa e todas grande interesse pela cultura de nosso país, para além das informações obtidas através da propaganda turística. Este confronto de culturas nos permite sempre a comparação de contos, de estruturas dos contos, escutar narrativas pessoais e da cultura local. Já trabalhei com um grupo de adolescentes em Urubamba, povoado do chamado vale sagrado, em que desenvolvemos a narração oral com utilização de objetos trazidos de casa ou da plantação. Foi encantador. Contamos histórias em português nos Centros de Estudios Brasileños (Lima e Buenos Aires) para alunos que estavam justamente aprendendo nossa língua, e vieram tirar muitas muitas dúvidas. Fizemos intervenções em ônibus em cidades do México, conhecemos projetos de leitura desenvolvidos na periferia de Buenos Aires, participamos de saraus para adultos em Córdoba (Argentina), ministramos oficinas para alunos de pedagogia nas Ilhas Canárias, etc. Tudo isso tem sido muito marcante, porque a experiência em narrar em outra língua nos faz entender e apropriar ainda mais a nossa própria.

Outra experiência magnífica tem sido a realização de nossa exposição interativa pelas Caixas Culturais do país. Geralmente ficamos por 30 a 40 dias numa cidade, trabalhando de terça a domingo, contando histórias para turmas de escolas durante a semana (quatro sessões por dia) e apresentando nossos espetáculos para o público espontâneo nos finais de semana. Esta experiência nos tem proporcionado muitos ganhos: a experiência constante e intensa de narrar (para crianças de idades diferentes, para grupos especiais, etc.), o contato diário com educadores e narradores locais, o contato com as crianças e suas maneiras de ler e narrar, amigos e amigos. Em Brasília, por exemplo, muitas crianças de escolas localizadas nas cidades satélites chegavam cobertas de poeiras e de amor. Em São Paulo, contamos histórias para moradores de ruas, mendigos, travestis, prostitutas que queriam criar objetos para narrar suas histórias pessoais. Em Salvador, firmamos grande amizade com ONGs que investem no desmantelamento do racismo, na estima e reconhecimento da cultura afrodescendente, e que nos fornecem contos e informações sobre a cultura africana e brasileira. No Rio de Janeiro, com apoio da Secretaria de Educação, a possibilidade de inserir as escolas de localidades fora eixo Zona Sul e Norte nos programas de visita a museus. Além disso, em cada localidade desde 2003, ministramos oficinas de formação sobre a arte de contar histórias e seus desdobramentos. Mais que formar contadores de histórias, fizemos grandes amigos. Porque a oralidade serve sobretudo para isso, para fazer e manter amigos e amigos.

Como se dá a pesquisa de repertório? O grupo elege, em consenso, as histórias que integrarão o repertório ou são o(s) coordenador(es) que colocam os contos na roda?

As histórias vieram e vêm por várias vias: pela leitura individual, pela indicação externa, pela pesquisa em grupo, pela descoberta ocasional nas bibliotecas das escolas, pela escuta dos narradores locais, pelo contato com outros profissionais, cinema, literatura, etc. Contudo, a definição de uma nova sessão (tanto o trabalho sobre a palavra como o processo de criação dos materiais plásticos) fica por conta da coordenação e do diálogo com o restante do grupo. Esta escolha leva em conta os interesses artísticos das pessoas (o que querem contar, como querem contar, que tipo de histórias, que temas têm sido relevantes para cada um, etc.) e as demandas externas (novos autores e livros, o que as escolas e centros culturais têm solicitado, propostas e projetos com ONGs ou empresas).

Qual a periodicidade dos encontros do grupo?

Parte do grupo viaja muito. Então há momentos que todos estão no Rio, e propomos encontros e treinamentos em nossa sede, duas vezes por semana. A coordenação e a frente de produção se encontram quase que diariamente, de terça a sexta. Quando em viagem, nossos encontros são esporádicos, dependendo que tipo de projeto, quantos contadores, etc. 

Vocês também contam histórias autorais, não é? Vocês preservam a autoria do conto na íntegra ou adaptam com suas próprias palavras?

Nós acreditamos que a palavra oral não está subordinada à palavra escrita, ou seja, é pouco para nós acreditar que o contador de histórias é apenas uma ponte para a literatura escrita, ou que o objetivo principal do seu trabalho seja o estímulo à leitura. Não, para nós, há um diálogo fértil entre uma coisa e outra,  mas não uma subordinação. Como assim o é entre cinema e literatura. Mudam-se os meios, então mudam-se as técnicas, processos e as formas de interação. Acreditamos que o contador de histórias, como todo artista, deve ser livre. Ou seja, pode decorar o texto e utilizá-lo na íntegra, pode fazer adaptação com suas próprias palavras, pode mesclar textos de diversas origens, enfim um artista criador sobretudo. Contudo, há claro questões éticas. Se um contador adaptou um texto de Cecília Meireles e narra com suas próprias palavras, não é nada ético divulgar que ele narra as palavras de Cecília Meireles, mas sim que seu trabalho foi inspirado a partir da obra da poetisa (como faz o cinema). É para nós mais uma questão ética do que subordinação ou privação artística. Já vi adaptações maravilhosas, que não dariam evidentemente conta de Dom Casmurro inteiro, para que o público se aproximasse de Machado de Assis. Pois o contato enfim com a obra do autor se faz de maneira inteira e concreta somente com o próprio livro, lendo-o. O contador de histórias faz seu trabalho inspirado no autor, mas não se constitui apenas meio sonoro para a literatura. Antes disso é gente, é artista, tem sua visão sobre a obra, seu comentário, seu corpo, sua voz, sua própria memória, e é isso que vai mostrar à audiência. Para mim há um rico diálogo entre palavra oral e escrita mas independência dos meios, garantindo o valor e a potência de cada manifestação. Se o contador sente que é melhor adaptar, que tenha liberdade para isso. Já assisti a grupos que mantiveram o texto original e não havia vida, tudo formal, uma relação estereotipada com o som e o ritmo. As regras da cultura escrita prevaleciam sobre os recursos vivos do narrador (seu corpo, voz e memória), ou seja, a cadência da narrativa seguia mais as vírgulas e pontos que a respiração do próprio narrador. Temos que ter cuidado com os termos “preservar o original” até porque o original foi concebido para ser lido e não para se narrado. Já mudamos o meio de interação com a obra. Narrar oralmente (mesmo com todas as palavras do autor) já prescinde adaptação, porque estamos imersos agora nos princípios que se referem à prática da oralidade e não à prática da leitura.

Trabalhamos, por exemplo, com os textos originais de Carlos Drummond de Andrade e Ana Maria Machado. Isso porque escolhemos decorar e trabalhar com a potência da palavra deles. Mas há claro pequenas adaptações, há cortes, há interferências do próprio narrador. Tudo a serviço de seu trabalho com a palavra oral. Este é um dos tipos de processo: decorar e atribuir vida sonora à narrativa. Mas há outro processo também, principalmente com os contos populares: que é conhecer a estrutura do conto, e de tanto contar e contar, e contar e contar, criar uma narrativa própria, particular, revisitada.

Investigar juntos os símbolos e especificidades de um conto de fada faz parte da prática regular do grupo para a formação de repertório?

Sim, assim como traçar paralelos com situações sociais contemporâneas, vivências pessoais, comparação de contos, discussões temáticas, etc. É preciso ter muito delicadeza nestas horas, para que o conto não fique carregado de “interpretação”. Eles nasceram sem interpretação e sempre foram transmitidos assim. A análise psicológica ou social dos contos é de grande valia, muito interessante, mas não resume ou revela o conto. O conto é independente de sua análise. Até para que o ouvinte tenha uma outra e nova percepção que não só a do contador.

Qual a palavra chave para o contador de histórias? Por quê?

Contato. CON-TATO. Contato entre as pessoas, num nível mais profundo, através das narrativas. Tato, tocar as pessoas, ser tocado por elas, comungar e resolver problemas, falar da vida, inventar um fazer que seja bom para nós, que nos dê sentido. As narrativas nos dão sentido de existir juntos, porque é contato.

Três títulos fundamentais na formação de um contador de histórias.

Posso sugerir seis? Abraços a todos!!!

BENJAMIN, Walter. O narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: —. Magia e técnica, CASCUDO, Câmara. Contos tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1981.

arte e política. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994 a.

HAVELOCK, Eric. A equação oralidade-cultura escrita: uma fórmula para a mente moderna. In: Cultura Escrita e Oralidade de David R. Olson e Nancy Torrane. 1982

MACHADO, Ana Maria. Texturas: sobre leituras e escritos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

MATOS, Gislayne Avelar. A palavra do contador de histórias. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

PAULINO, Graça. Diversidade de narrativas. In: Paiva, Aparecida. No fim do século a diversidade – o jogo do livro infantil e juvenil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

——. Tipos de textos, modos de leitura. In: Pensando a leitura. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

CANTO DOS CONTADORES ENTREVISTAS
PÉ DE PATO, MANGALÔ, TRÊS VEZES DICAS PARA CONTADORES DE HISTÓRIAS

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8 comentários sobre “ENTREVISTAS

  1. lucelia 31 de agosto de 2008 / 18:16

    Amo essa menina FAniquitada, linda conversei, ri e ousadamente contei historias para ela.
    meu bando da leitura tem muito de Fanny.
    obrigada e vida longa!

  2. adriana mourão 2 de setembro de 2008 / 20:10

    Ótimo!
    As histórias são gande alimento para nossas almas. Nada de histórias adaptadas. As histórias verdadeiras, com maldades e bondades, é que nos trazem a possibilidade da redenção, da superação. Como vamos nos identificar se só existem bonzinhos? Como vamos aprender se não errarmos?
    Bom te ler.

  3. Lauro Braga 4 de setembro de 2008 / 1:02

    Bom encontrar um site com essa possibilidade de conhecer mais de perto o olhar dos escritores. O blog está nota 10.

  4. Ana Lúcia Pó 5 de setembro de 2008 / 15:59

    Gostosas de ler estas entrevistas.
    A imprescindível biogafia, que nos situa na vida e obra do escritor, mas às vezes nos assusta com tantos títulos e formações importantes, fica lindamente complementada com a simplicidade, poesia,espontaneidade, humanidade da bem conduzida entrevista, que nos faz sentir tomando chá com bolinhos com as entrevistadas, quase pedindo que contem uma história no final…

  5. Joao Gonçalves 6 de setembro de 2008 / 1:05

    Gostei,ficamos conhecendo os escritores
    que são gente como agente.

    sugestões; NELSON ABISSU SP.
    MARILIA TRESCA. SP

  6. Vilma Taveira 8 de setembro de 2008 / 0:52

    Parabéns, Laerte.
    Está lindo,como tudo que você faz.
    Beijos saudosos,
    Vilma Taveira

  7. Carlos Proler 12 de outubro de 2008 / 12:07

    Prezado Professor,
    Que parabenisar pelo blog e agradecer todas as informações que o senhor sempre nos trás.

  8. Elvira 3 de dezembro de 2008 / 16:37

    Prezado Laerte,
    Acabamos nos conhecendo à distância por conta da leitura de inúmeros artigos seus e por compartilhar com grande parte de suas idéias sobre contar histórias. Acho também que não é para fazer muita firula, não. A simplicidade é convite à aproximação daqueles que não contam com recursos como voz impostada, dicção e expressão corporal, mas querem contar histórias. Ouvir você dizer uma coisa certa vez (até anotei) que achei perfeita: existem contadores para grandes espaços e contadores para espaços mais intimistas e todos são fundamentais para a sociedade. Isso é lindo, compactuo plenamente e dou graças a Deus de ter uma pessoa que pense assim e que tenha a penetração dentro da mídia que você tem! Luz.

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